quinta-feira, 26 de maio de 2011

Figuras de nosso Estado #3

Paripueira é um município do litoral norte de Alagoas, situado cerca de 27km da capital. Lugar muito famoso por suas belas praias e período carnavalesco. Essa cidade, cujo nome significa em tupi "águas mansas" é o local de origem de nossa personagem de hoje: A Miss Paripueira, que de mansa não tinha nada.

Apesar do título, Ambrosina Maria da Conceição, falecida há mais de uma década, fez história mesmo na capital. Era em Maceió, mais especificamente no centro comercial da cidade, que sempre a encontrava em suas célebres performances. Em meados da década de 90, antes do divisor de águas causado na indústria fonográfica por conta de Shawn Fanning e seu aplicativo de compartilhamento de arquivos, gostava muito de andar pelo centro (lugar onde a cidade realmente mostra sua cara) e parar nas lojas de CD para garimpar promoções e novos lançamentos de meus artistas favoritos.

Sempre que chegava em alguma de minhas lojas favoritas ela estava lá.A cena era de fechar a rua do comércio. Ficavam todos parados por minutos olhando. Nossa Miss usava óculos enormes, colares e pulseiras coloridas, vestidos estampados e berrantes. Um visual visionário (que deixariam os adoradores do falecido e aclamado Alexander McQueen chocados) com uma atitude pungente e visceral.

Assim que a loja se abria e tocavam a primeira música para chamar a clientela, o som dos primeiros acordes junto com as palmas e gritos de funcionários de outras lojas (que até hoje usam esse recursos para chamar freguês por aqui, como quem tange galinha), fazia ela se danar a dançar ... fervorosamente ... e sem parar. Ela encarava de tudo: Forró, Axé, samba, pagode e até rock n´ roll e outras variações (uma vez pedi pra o atendente da loja mudar o cd e tocar o clássico Nevermind pra ver se ela parava e nada ... ela adorou :) ). Enfim, o que botassem pra moer ela traçava. Somente uma coisa a desconcentrava: Falar mal de seu "noivo" Fernando Collor. A Miss era apaixonada pelo homem e não admitia que ninguém falasse mal de seu amado. Ela literalmente rodava a baiana quando alguém o fazia e sua street dance ganhava ares de balé e luta contra inimigos invisíveis, parecendo até as famosas cenas do genial  Yuen Woo-ping (o coreógrafo chinês que revolucionou o cinem com pérolas como: The Drunk Master, Matrix, Kill Bill e outros clássicos de Jet Li e Jackie Chan)

Hoje nossa miss se foi, não existem mais lojas de CD e muita gente prefere ir ao shopping quando chega para conhecer uma cidade. Peço que continuem indo ao centro, as melhores fontes de inspiração estão por lá. Tanto que nosso próximo post vai falar um pouco mais sobre essa parte da cidade e uma das maiores figuras que lá já surgiu. Até lá. :)

5 comentários:

  1. Boa lembrança, Mestre André Lins!

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  2. Miss Paripueira é ícone do centro de Maceió. Ela e seu inseparável cajado (na verdade, um cabo de vassoura) usado para defender o "noivo". Outra coisa que deixava a miss fula da vida: ser chamada de Sabiá. Ela partia para o ataque com seu cajado letal.

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  3. Belíssimo texto, Dezito! Realmente, uma figura eterna da saudosa época em que nosso querido Centro de Maceió era um caldeirão cultural.

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  4. Tava com saudades desses textos teus homem. Mas, continuo querendo o texto sobre o Cinema São Luiz (com z ou com s?) antologico. Chorei tanto quando li. quando foi mermo? mais de 10 anos atrás! Porra Dé, faz mais de uma década que a gente comeu salgadinho na sala de IT do Sebrae, época da Luzia..saudade!

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  5. Eu tmb adoro aquele texto mas acho que não o tenho mais em versão digital. Talvez tenha apenas impresso e possa redigitar por aqui. Vou procurar ... :)

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